quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Sem limites para a mentira

Foto retirada do site: www.jornalpequeno.com.br
A necessidade para mentir torna-se cada vez mais perigosa. Há casos nos quais a fase fantasiosa da infância se prolonga, ultrapassando a barreira da normalidade e se esbarrando na patologia. Apesar da mentira aparecer, muitas vezes, em forma de algum transtorno, temos que saber separar patologia de falta de caráter, pois existem pessoas que mentem para se safar de situações e podem justificar seus atos através de alguma doença, o que é ainda mais abominável!

É inegável que a mentira faz parte do mundo em que a gente vive e que todos nós já contamos uma mentirinha, mas segundo o médico psiquiatra Luís Carlos Calil, a mentira passa a ser doença quando causa sofrimento para o indivíduo que mente ou para as pessoas de seu ambiente. Sendo assim, a mentira deve ser avaliada, segundo especialistas, considerando seu objetivo, circunstância e motivação.

Não sei se vocês já ouviram falar em Mitomania, então, antes de mais nada, falarei um pouquinho disso pra vocês. A Mitomania é um distúrbio de personalidade no qual o paciente possui uma tendência compulsiva pela mentira. Segundo Letícia de Oliveira, terapeuta comportamental, uma das grandes diferenças do mentiroso esporádico ou “tradicional” para o mitômano é que, no primeiro caso, o indivíduo não tem resistência em admitir a verdade, enquanto o portador da compulsão por mentir usa a mentira em proveito próprio ou prejuízo de outro de forma imoral e insensível, sem sentir necessidade de desfazer o engano. 

Na mitomania, o paciente usa a mentira de forma consciente para enganar pessoas e tirar vantagens. Ele nunca admite suas mentiras, embora tenha plena consciência de que são histórias imaginárias e também não se constrange ao vê-la descoberta. Esse comportamento patológico se torna um estilo de vida difícil de ser controlado como qualquer outra doença psiquiátrica. 

Agora, lembrando do que eu disse lá na primeira frase, sobre confundirmos falta de caráter com a mentira patológica, é importante dizermos aqui que o mentiroso comum calcula o perigo que corre, prevê as contestações, prepara contra-resposta, ao passo que o mentiroso patológico vai mentindo e dando asas à fantasia sem se preocupar em aprofundar e julgar o que diz, não se dando conta de que muitas vezes está caindo no ridículo. 

Segundo Simone Russo, psicóloga, o mentiroso compulsivo nem sempre tem noção de que está mentindo, o que o leva a acreditar em suas fantasias e considerá-las realidade. Furos nas histórias, comportamento desafiador, dificuldade em respeitar normas, ausência de limites e de preocupação com os outros são algumas das características para detectar o mitomaníaco.

A pessoa tem a necessidade psicológica de mentir para ter uma satisfação pessoal, para parecer mais interessante, e para isso passa a contar histórias fantasiosas. Pessoas inseguras, carentes e que precisam de atenção são o perfil mais comum. Ainda segundo alguns psiquiatras, as mulheres são a maioria entre os mentirosos compulsivos.


Para que haja o tratamento da mentira é necessário, em primeiro lugar, a identificação da doença de base responsável pela sua manifestação, pois existem vários transtornos que possuem a compulsão pela mentira como sintoma. A psicoterapia em conjunto com o uso de remédios é utilizada como controle.

Caros colegas e leitores, vocês conhecem alguém com esse perfil?Contem suas experiências aqui no blog. Tenho uma dificuldade imensa em saber o limite existente entre o mentiroso comum e o patológico. Ainda temos muito o que aprender!

Obrigada pelos comentários!Um abraço!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Adoção por casais homossexuais


Foto retirada do blog: michele-michelelarissa.blogspot.com

Vídeo indicado pelo colega "Panda", seguidor do blog. Obrigada, querido!
Queridos seguidores e leitores,
Como prometi anteriormente, escrevo hoje sobre a adoção de uma criança por um casal homossexual, assunto delicado e muito discutido atualmente.
Sempre costumo trazer casos do consultório, mas hoje farei um post mais teórico, pois ainda não atendi alguém que vive esse tipo de situação.
Antes de qualquer coisa, eu gostaria de ressaltar os dois pontos chave que transformam essa questão em tão polêmica e controversa: o reconhecimento, perante a sociedade, da existência de um núcleo familiar homoafetivo e a conseqüência gerada aos adotados por estas famílias.
Infelizmente, vivemos em sociedade e damos abertura para que as pessoas invadam nossas vidas. Com isso, damos a elas o direito de opinarem. Quando a pessoa possui um conhecimento sobre o assunto, acho até válido que ela opine e acrescente algum tipo de aprendizado. O grande problema é que existem pessoas que não conhecem nada sobre o assunto e, infelizmente, opinam de forma negativa e preconceituosa.
Embora haja esse "grande" impasse cercando o assunto, não podemos, de forma alguma, ignorar o direito dos homossexuais à adoção e, muito menos, os benefícios trazidos à sociedade em decorrência da formação de um novo lar aos adotados.
Paulo Bonança, psicólogo carioca, traz algumas questões interessantes em uma entrevista concedida ao site redepsi.com.br e acho válido expor algumas dessas questões, de forma resumida, como um convite à reflexão.
Geralmente, as pessoas dizem que uma criança adotada por um casal gay pode se tornar homossexual devido ao convívio. Paulo dá uma resposta espetacular e óvia: "Seria muito difícil poder afirmar que uma criança adotada por um casal gay venha a ser gay devido ao convívio. Seria o mesmo que afirmar que filhos de héteros serão héteros devido ao convívio com os pais héteros." Diante dessa resposta, acho que não preciso dizer nada.
Uma outra questão abordada seria sobre o preconceito existente na sociedade em relação a essas crianças. Frente a isto, Paulo friza que seria fundamental manter os canais de comunicação abertos, dizendo ao filho que eles estão dispostos e disponíveis a conversar sobre o tema e a responder às dúvidas que ele possa vir a ter.
A orientação sexual dos pais não é algo tão importante para eles, dentro de casa, mas para algumas pessoas que vivem fora dessa relação, pode ser. Isto ocorre porque elas não sabem, não entendem o que é a homossexualidade.
Paulo deixa sua mensagem: "Omitir que é gay é instalar um segredo dentro do convívio familiar, é negar uma situação que pode ser óbvia, é negar os avanços sociais que levaram o casal à possibilidade de adotar esta criança, é colocar a homossexualidade dos pais dentro de um contexto obscuro. Talvez antes de negar ou afirmar algo, seja melhor averiguar o que a criança já sabe e o que pensar sobre a situação." Acho que tudo fica tão claro nessa entrevista, que não preciso expor a minha opinião, que acaba se misturando muito à opinião desse psicólogo.
Ainda assim, preciso deixar um recado para finalizar o post. Vamos pensar de forma mais positiva? Não podemos negar que existe preconceito e discriminação, mas o que a adoção visa? Segundo o que eu conheço e o que eu penso sobre o assunto, o principal é dar um lar cheio de afetividade a essa criança, para que ela tenha oportunidades de se desenvolver, se tornando um cidadão. Então, meus caros, por que dar tanta importância à sexualidade dos pais?
Respondam, devolvam a pergunta, reflitam, pensem sobre isso...a idéia do blog é justamente essa!
Obrigada a todos e um grande abraço!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Violência durante a Gravidez


Foto retirada do blog:
centropopulardamulher.blogspot.com

Mais uma vez apresento a vocês um caso clínico.

Atendo três pacientes da mesma família: pai, mãe e filha. Por enquanto, atendo os três separadamente, mas tudo indica que estamos caminhando para uma terapia familiar e que, juntos, posteriormente, em uma mesma sessão, poderemos obter alguns progressos, até porque os três casos se entrelaçam e não tem como ser diferente, o que, obviamente, já era esperado.

Bom. Vamos realmente ao que interessa nesse post: a mulher que sofreu violência durante a gravidez.

Quando ouvimos falar em gravidez, o que vem à cabeça é uma imagem positiva que lembra vida, alegria, amor, ainda que esta não seja uma gravidez planejada. Sendo assim, é muito difícil conseguirmos associar um momento tão lindo com qualquer tipo de violência, não é verdade? Porém, essa mulher me traz uma nova visão da realidade, que costumamos fantasiar: “Apanhei, ouvi barbaridades e ainda sofro com tudo isso!”

Não estou dizendo só de violência física, mas também emocional. O que importa é que qualquer tipo de violência traz danos terríveis. Pesquisas recentes demonstram correlação entre violência na gravidez e depressão pós-parto. Então, pelo que podemos constatar, os danos não são só relacionados à mãe, mas também à criança, que sofre com a rejeição.

Sabem o pior de tudo?A maior parte dessas mulheres atravessa esses momentos sozinhas por não terem condições de procurar ajuda. Com isso, a saúde da mulher e a saúde da criança ficam comprometidas.

Uma pesquisa realizada no estado de São Paulo, com 1.922 mulheres, com idade entre 15 e 49 anos e que engravidaram pelo menos uma vez na vida, revela que 60% delas já sofreram algum tipo de violência (física, sexual ou psicológica) pelo parceiro. Cerca de 20% das entrevistadas afirmaram terem sido agredidas durante a gravidez.

Segundo a psicóloga Julia Garcia Durand, que estudou o assunto em seu mestrado na Faculdade de Medicina (FM) da USP, a violência doméstica durante a gestação está associada à perda de suportes sociais (como o apoio familiar e da comunidade) por parte da mulher.  A partir disso, é criada uma situação de dependência em que o homem enxerga a mulher como uma pessoa submissa - uma visão que tende a se acentuar com a gravidez.

Diante de tudo o que foi colocado nesse post, o que posso dizer, por enquanto, é que, infelizmente, as mulheres procuram ajuda muito tarde, quando o caso já está insustentável. Então, chamo a atenção das mulheres que sofrem desses diversos tipos de violência: TENHAM CORAGEM, DENUNCIEM, PROCUREM AJUDA!

Temos que ir em busca de acabar com duas visões: a de que a mulher é a única responsável pelo planejamento familiar e a associação de masculinidade à violência.

Amigos psicólogos, não sou especialista em terapia familiar. Mais um desafio!!! Me ajudem nessa e deixem seus comentários!
Obrigada e um forte abraço!=)

sábado, 18 de dezembro de 2010

A Psicologia e a Adoção de uma Criança mais Velha


http://www.caricaturaecia.com/
Ao receber uma criança adotada em meu consultório, vi a necessidade de me aprofundar no assunto e resolvi trazer um pouco desse aprendizado para os leitores do blog. Obviamente, não sou grande conhecedora do processo de adoção, mas acho que o objetivo principal do blog é o "aprender" visto pelos dois lados: o meu e o de vocês.

Acho que seria interessante falar, primeiramente, da adoção de uma maneira geral, para que vocês entendam como é feito. Aqui no Brasil, o processo já foi extremamente demorado e cansativo, mas com o advento do Estatuto da Criança e do Adolescente, as coisas se tornaram mais simples e rápidas. Acho essencial expor essa melhora porque, como tudo em meu consultório, gosto de explorar o que há de positivo em cada situação. É claro que os obstáculos continuam existindo, mas nada que desestimule a adoção de uma maneira geral, até porque, quem realmente deseja, ultrapassa qualquer obstáculo e isso é o que mais vejo em meu trabalho, o que me deixa muito feliz.

Bom. O primeiro passo para aquele que deseja adotar uma criança, é procurar o Juizado da Infância e da Juventude, dirigindo-se à Seção de Colocação em Família Substituta, solicitando uma entrevista com os técnicos para que, assim, seja formalizado o pedido de inscrição. Lá vocês terão todas as informações necessárias sobre o processo.

É importante deixar claro que a lei não faz qualquer distinção em relação ao estado civil ou orientação sexual do adotante, mas acho que vou tratar desse assunto em outro post, por ser tão polêmico!Tenham paciência que esse será meu próximo post, o direito homoafetivo na adoção, e já estou estudando pra isso!=)

Entrando em um outro aspecto dessa questão tão complexa, posso dizer, a partir da criança que atendo, que a adoção foi muito esperada, mesmo porque é uma criança maior, que já vivia uma desesperança em relação ao processo. Foi adotada há apenas alguns anos, tendo sua esperança e fé renovadas. A mãe, apesar de um pouco perdida, lida com essa questão de forma muito positiva, impondo os limites que a criança não compreendia até então. Estou começando o trabalho com essa criança essa semana, mas pretendo trabalhar e reforçar esse limites, além da expressão dos sentimentos, que a criança também desconhecia e lida com dificuldade.

A partir desse caso específico, conseguimos enxergar que é plenamente possível a adaptação de uma criança maior e, mais do que isso, essa adaptação é extremamente necessária. Essa criança que estou conhecendo já construiu e descontruiu a esperança algumas vezes e está na fase de se encontrar, se identificar. Sendo assim, sua adaptação depende de muito amor e muita disponibilidade de todos para enfrentar a revolta e refazer caminhos que se perderam.

Até o presente momento, só tive duas sessões: uma com a mãe e outra com a criança, o que me impede de falar mais especificamente sobre esse caso. Entretanto, é possível falar do assunto, segundo a literatura, o que também é essencial!

Cintia Liana Reis de Silva, psicóloga especialista em terapia familia, diz que o maior desafio antes de adotar uma criança mais velha é o preconceito que essa prática envolve. Crenças de que a criança já esteja tranzendo traumas vividos na família de origem e na instituição de onde vem; que já tragam hábitos ou vícios cotidianos difíceis de serem “retirados”.
Diante dessa visão preconceituosa, o que tenho a dizer é que o essencial é o desejo de amar!Você deseja amar, deseja acolher?Por que, então, querer adotar somente um bebê?
O preconceito é o mais triste de tudo. Temos que mudar essa visão determinista e reducionista do ser humano, aprendendo a enxergar de maneira mais ampla e menos extremista qualquer situação que vivemos. Vamos exercitar esse tipo de pensamento?É mais um convite que deixo a vocês!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O Natal sem o Papai Noel?

Foto retirada do blog http://www.salto15vermelho.blogspot.com/

Muitas crianças já sabem o que pedir ao bom velhinho e ficarão muito felizes com seus presentes na noite do Natal. Entretanto, existem crianças que nunca recebem presentes e contam com nossa solidariedade para que seus pedidos sejam atendidos.
Bom, a notícia boa ainda está por vir!Você mesmo pode ser esse "Papai Noel" tão esperado:  seu trenó te aguarda em uma Agência dos Correios de sua cidade. É simples, não é? Pegue quantas cartinhas quiser e ajude crianças carentes de sua cidade!
Em Viçosa, é só correr para a agência localizada na Praça Silviano Brandão e fazer a sua parte!
Feliz Natal a todos os leitores e obrigada pelas visitas!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

AUTO-ESTIMA INFANTIL


Foto: Stock
Hoje decidi escrever sobre a auto-estima da criança, inspirada em um caso do consultório. Estou atendendo a uma criança, inicialmente, calada, triste, tímida, mas que agora se mostra falante, alegre, extrovertida. Tudo que ela precisava era um pouco de atenção e carinho. O trabalho, então, precisa ser feito dentro de casa, com os pais, pois o “grande” problema não está exatamente na criança, vocês não acham?
Aconteceram alguns fatos, no mínimo, curiosos. Pedi a ela que desenhasse sua família. Dei a ela lápis de cor, giz de cera, canetinhas coloridas, etc, mas nada disso foi utilizado. Ela fez um desenho com traços fortes, pretos, sem cor e demonstrou falta de vontade ao fazê-lo. Na sessão seguinte, pedi que desenhasse sua escola e, para minha surpresa, o desenho foi alegre, cheio de cores, amiguinhos, acompanhado de um sorriso no rosto. É impressionante como a criança fala através do desenho, da história, do brincar.
A baixa auto-estima que essa criança apresenta está intimamente ligada ao seu relacionamento dentro de casa. Ela se apegou tanto a mim que não gosta que eu converse com seus pais, pois o tempo dela comigo diminuiria, então marco sessões separadas, em diferentes horários, com os pais, atendendo à necessidade dessa criança. Mas o meu carinho e a minha atenção não bastam e é exatamente isso que mostro aos pais. A responsabilidade no processo não é só minha, pois não posso atendê-la durante sua vida toda.
Bom, agora vamos falar da auto-estima de uma forma geral!
Como todos já devem saber, a auto-estima é a capacidade de gostarmos de nós mesmos, o que inclui tanto a imagem que temos de nós, como a imagem que acreditamos que os outros têm de nós.

Segundo Nelly Beatriz, Psicóloga e Master Practitioner em Programação Neurolingüística (PNL), nossa auto-estima vai sendo formada desde o momento do nascimento. As experiências positivas que resultam em satisfação e alegria vão compondo a auto-estima positiva. Então, a atitude dos pais e professores acerca dos sucessos ou insucessos da criança são decisivos para sua auto-estima e auto-conceito.

É muito comum encontrarmos crianças rotuladas em casa e na escola. Essas crianças são apontadas como um grande problema – “criança agressiva”, “criança bagunceira”, “criança rebelde”. Elas, muitas vezes, acabam sendo apontadas como culpadas por tudo o que acontece de errado, mesmo que não tenham culpa. Como eu já disse em outro “post”, o ideal é explorar o potencial dessas crianças, o que têm de positivo.

Maria do Rosário Silva diz que se os pais opinam sempre a partir de uma perspectiva negativa para os filhos, taxando-os como incapazes, só vão contribuir para que neles se forme uma imagem “pequena” e negativa de seu valor. Se os amigos agirem da mesma forma, é certo que teremos uma pessoa com baixa auto-estima.

Para ajudar essa criança a criar bons sentimentos é muito importante elogiá-la e incentivá-la para que ela veja que é capaz de muita coisa. É importante que o elogio seja merecido, pois a criança sente se o mesmo foi sincero.

Com uma auto-estima elevada, a criança conseguirá enfrentar seus aspectos desfavoráveis, será mais ativa, fará amigos com maior facilidade, se sentindo mais confiante e feliz.

Lembrem-se, pais, é muito importante permitir que a criança expresse seus sentimentos, sendo negativos ou positivos. Se a criança sente, é porque tem razões para isso e esse sentimento precisa ser partilhado.

O mundo atual exige muito dos pais e das crianças. É comum chegar cansado de um dia de trabalho e descarregar esse cansaço na criança, mas é necessário um momento com seu filho, que seja apenas 20 minutos por dia.

O que quero deixar de mensagem hoje é: Entre no mundo do seu filho, brinque com ele, dê a ele a atenção que merece, pois ele só está aqui por responsabilidade ou irresponsabilidade de vocês, pais.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O adolescente e a ansiedade


Estou com dois pacientes em meu consultório que sofrem com o mesmo problema: ansiedade com o vestibular, como consequência da pressão da família, dos amigos e, principalmente, do paciente sobre ele mesmo.                                                                              

Se pararmos para pensar nos adolescentes que enfrentam o vestibular, conseguimos enquadrá-los em 3 grupos: aqueles que não se prepararam de forma adequada e, consequentemente, apresentam chances remotas de conseguirem aprovação; os que têm um desempenho razoável durante a escola e, com isso, têm chances razoáveis de passar; e aqueles que sempre foram bons alunos e estão preparados para encarar o desafio.

De qualquer forma, a ansiedade pode surgir em qualquer um dos três grupos já citados. Porém, o terceiro grupo, no qual se enquadram meus dois pacientes, experiencia a ansiedade de uma maneira diferenciada, pois, além de se angustiar com a competição, sofre uma cobrança muito maior dos familiares, amigos e dele consigo mesmo, justamente pela história de vida escolar. Esses adolescentes do terceiro grupo sempre foram ótimos alunos, os melhores da sala, com as melhores notas e, com isso, a expectativa das pessoas é cada vez maior, o que aumenta a ansiedade.

Segundo Ivan Izquierdo, “Em circunstâncias de estresse ou ansiedade elevada, a glândula supra-renal secreta corticóides, que agem diretamente sobre o cérebro e bloqueiam o mecanismo de evocação".

Quem tem alguém na família, que vai fazer vestibular, já sabe. Todos acabam se envolvendo com a prova e entram em uma grande aflição junto com o aluno. Calma, galerinha! O nervosismo não ajuda em nada! Isso só faz com que a tensão aumente, juntamente com o medo. A cobrança do vestibulando com ele mesmo já é suficiente para tornar sua vida um martírio.

Essa ansiedade que persegue meus dois pacientes, posso garantir, não é uma ansiedade patológica e sim situacional, advinda somente desse momento que estão vivendo. Ao pesquisar a história de vida de cada um, vejo que são pessoas comedidas, calmas, responsáveis, mas que, nesse momento, se deparam com um sentimento diferente daqueles que costumam vivenciar.

Diante disso, converso bastante, tentando descobrir o que há por trás desse medo e dessa ansiedade, trabalho com algumas técnicas de relaxamento, característica marcante da Gestalt-Terapia e, por fim, dou algumas dicas simples que já estamos acostumados a ouvir: "Evitem atividades que aumentam o nervosismo."; "Regulem seu sono, tendo hora certa de dormir e de acordar."; "Conheçam o local da prova com antecedência."; "Tentem se afastar de pessoas que tiram sua concentração."; "Tenham momentos de lazer."; "Pratiquem alguma atividade física pelo menos duas vezes na semana."; "Controlem a alimentação e optem por alimentos leves e saudáveis.".

No mais, o que tenho a dizer é boa sorte aos vestibulandos e que Deus os abençoe!=)


domingo, 28 de novembro de 2010

PALESTREI !=)

foto retirada do blog http://luisinha-anjo-sem-asas.blogspot.com/



Fui convidada a ministrar minha primeira palestra!


No dia 27/11/10, no departamento de Economia Rural da Universidade Federal de Viçosa, falei sobre as crianças especiais no lançamento da Associação "Um Minuto Pela Vida".


Fiquei muito aflita , mas resolvi aceitar o convite, encarando-o como mais um desafio para a minha carreira!É uma aflição gostosa, uma ansiedade que movimenta!
Como é gostoso preparar algo sobre um assunto que motiva e emociona. Me apaixonei pelo assunto ainda mais!
Quando ainda estudava na Universidade Federal de São João Del Rei, estagiei em uma clínica chamada Helianto Aplicar, onde residiam meninos autistas de todas as idades! Trabalhávamos com a Psicologia Comportamental e o resultado era bastante satisfatório. A partir de então, me encantei ainda mais com o universo infantil e hoje me deparo com esse desafio de palestrar!


Então, desde já, agradeço aos pais, estudantes e profissionais presentes e, principalmente, à Juliana pelo convite tão especial.
Resolvi tratar de 2 aspectos principais: a vinda de uma criança com deficiência na família e os aspectos importantes dessa experiência para a constituição psíquica da criança; e a importância do acompanhamento terapêutico, tanto para a criança como para a família, a fim de se reconstituir o vínculo familiar quebrado na descoberta do diagnóstico do filho que acaba de nascer.
Onde começam os processos de inclusão?Primeiramente, na família. Uma família que se preparou para receber uma criança perfeita, sonhada, idealizada e que, de repente, se depara com outra criança, que precisa, então, receber um outro lugar onde ela possa se reconhecer enquanto membro dessa família.


Segundo D'Antino (1998) a família é o primeiro e mais importante “berço” do indivíduo, tendo como função original satisfazer todas as necessidades físicas, afetivas e sociais da criança, cumprindo também, a função mediadora entre a criança e o mundo social.
Por que o primeiro processo de inclusão é feito justamente na família? Se há preconceito e rejeição dentro da própria família, como será que essa criança vai lidar com os outros processos de inclusão, como na escola, por exemplo?
Ao invés de focar nos prejuízos da deficiência, explorem o potencial de seus filhos. É exatamente assim que eu trabalho em meu consultório, independente da criança ter ou não algum tipo de deficiência. A minha intenção é sempre reconhecer e explorar suas potencialidades e eu acho que é aí que está o grande segredo para os pais.
Também falei um pouco do BRINCAR na terapia e citei alguns exemplos de consultório sobre como a criança revela coisas incríveis a partir da brincadeira, trazendo aquilo que ainda não é capaz de elaborar. A criança fala através das cores, dos desenhos, dos personagens que fantasia em suas histórias, mostra através dos jogos como lida com as regras e com o fato de perder algo, o que reflete também em sua vida.


Procurei dar algumas dicas para os pais, obviamente deixando claro que não há uma maneira universal e correta de criarem seus filhos, mas tentando alertá-los para alguns pontos que são mascarados pela deficiência. Contei com a ajuda de uma matéria publicada pelo site da UOL, de Michael Meyerhoff, Ed.D (fonte: http://saude.hsw.uol.com.br/necessidades-especiais-infantis3.htm). Se for do interesse de vocês, dêem uma olhadinha na matéria, pois achei bem interessante.
Para finalizar a palestra, falei um pouco do assunto tão polêmico dentro desse tema, mas que não poderia deixar de falar: a INCLUSÃO.  E sobre a forma de viabilizar a inclusão, não tenho uma resposta, mas sei que um passo seria olhar para dentro de nós, para as nossas próprias diferenças, para assim conseguirmos enxergar o outro de uma maneira mais humana. A partir disso, talvez possamos pensar em algum tipo de evolução.
Tentei levar o meu discurso para o lado da humanização e da sensibilização e, felizmente, deu muito certo!Então, só tenho a agradecer a todos que estiveram presentes!=)

sábado, 27 de novembro de 2010

PALESTRA HOJE!!!

Hoje haverá um evento em prol do lançamento da Associação Um Minuto Pela Vida, no auditório do Departamento de Economia Rural, localizado na Universidade  Federal de Viçosa(UFV). O evento ocorrerá às 17 horas.


Serão ministradas algumas palestras e fui convidada, como psicóloga, a palestrar sobre as crianças especiais. Falarei, especificamente, da chegada de um bebê com deficiência na família e os aspectos importantes dessa experiência para a constituição psíquica da criança; além da importância do acompanhamento terapêutico, tanto para a criança quanto para a família.


No próximo post, contarei como foi!;) Orem por mim, por favor, pois estou com um friozinhoooo danado na barriga!rsrs...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Responsabilidade: ponto forte da terapia!

"...Ninguem é responsável, exceto você. Esta é uma das verdades mais duras de aceitar, mas uma vez que você a aceita, ela traz grande liberdade, cria um enorme espaço. Porque através disso, uma outra possibilidade imediatamente se abre: 'Se eu sou responsável, então posso mudar. Se eu não sou responsável, como posso mudar? Se eu estou fazendo isso a mim mesmo, então isso dói, mas traz também uma nova possibilidade - posso parar de me ferir, posso parar de ser infeliz'..."
(Osho)


Vamos levar nossos clientes  a se perceberem, se conhecerem e reconhecerem seus próprios limites, ajudando-os no caminho para a AUTO-SUFICIÊNCIA...
O que será que o impede de SER e de vivenciar o presente?O que o impede de se conscientizar?Será um passado inacabado?
Vamos levá-los ao reconhecimento de seus recursos atuais, mostrando-lhes quantas possibilidades de escolhas podem estar mascaradas pelos sintomas!
Que tal transformar seus pensamentos sobre o passado em AÇÕES no presente?
Precisamos restaurar a cada dia o contato conosco, com o nosso interior, para que, assim, consigamos lidar com o mundo e com o outro.
O que será que há por trás da dor trazida pelo cliente?Vamos pensar mais sobre isso..leve-o à reflexão. Será que ele mesmo não interrompe algo que precisa ser vivido e isso traz essa dor?
Vamos dar ao paciente a oportunidade de ser ele mesmo, vivenciar a si mesmo!
O adoecimento pode ser bom ou ruim, o que depende somente de como o indivíduo experiencia esse processo.
Vamos refletir, amigos psicólogos!Esse é o meu convite!
(Ana Luiza Rigueira)