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Foto retirada do site: www.jornalpequeno.com.br |
A necessidade para mentir torna-se cada vez mais perigosa. Há casos nos quais a fase fantasiosa da infância se prolonga, ultrapassando a barreira da normalidade e se esbarrando na patologia. Apesar da mentira aparecer, muitas vezes, em forma de algum transtorno, temos que saber separar patologia de falta de caráter, pois existem pessoas que mentem para se safar de situações e podem justificar seus atos através de alguma doença, o que é ainda mais abominável!
É inegável que a mentira faz parte do mundo em que a gente vive e que todos nós já contamos uma mentirinha, mas segundo o médico psiquiatra Luís Carlos Calil, a mentira passa a ser doença quando causa sofrimento para o indivíduo que mente ou para as pessoas de seu ambiente. Sendo assim, a mentira deve ser avaliada, segundo especialistas, considerando seu objetivo, circunstância e motivação.
Não sei se vocês já ouviram falar em Mitomania, então, antes de mais nada, falarei um pouquinho disso pra vocês. A Mitomania é um distúrbio de personalidade no qual o paciente possui uma tendência compulsiva pela mentira. Segundo Letícia de Oliveira, terapeuta comportamental, uma das grandes diferenças do mentiroso esporádico ou “tradicional” para o mitômano é que, no primeiro caso, o indivíduo não tem resistência em admitir a verdade, enquanto o portador da compulsão por mentir usa a mentira em proveito próprio ou prejuízo de outro de forma imoral e insensível, sem sentir necessidade de desfazer o engano.
Na mitomania, o paciente usa a mentira de forma consciente para enganar pessoas e tirar vantagens. Ele nunca admite suas mentiras, embora tenha plena consciência de que são histórias imaginárias e também não se constrange ao vê-la descoberta. Esse comportamento patológico se torna um estilo de vida difícil de ser controlado como qualquer outra doença psiquiátrica.
Agora, lembrando do que eu disse lá na primeira frase, sobre confundirmos falta de caráter com a mentira patológica, é importante dizermos aqui que o mentiroso comum calcula o perigo que corre, prevê as contestações, prepara contra-resposta, ao passo que o mentiroso patológico vai mentindo e dando asas à fantasia sem se preocupar em aprofundar e julgar o que diz, não se dando conta de que muitas vezes está caindo no ridículo.
Segundo Simone Russo, psicóloga, o mentiroso compulsivo nem sempre tem noção de que está mentindo, o que o leva a acreditar em suas fantasias e considerá-las realidade. Furos nas histórias, comportamento desafiador, dificuldade em respeitar normas, ausência de limites e de preocupação com os outros são algumas das características para detectar o mitomaníaco.
A pessoa tem a necessidade psicológica de mentir para ter uma satisfação pessoal, para parecer mais interessante, e para isso passa a contar histórias fantasiosas. Pessoas inseguras, carentes e que precisam de atenção são o perfil mais comum. Ainda segundo alguns psiquiatras, as mulheres são a maioria entre os mentirosos compulsivos.
Para que haja o tratamento da mentira é necessário, em primeiro lugar, a identificação da doença de base responsável pela sua manifestação, pois existem vários transtornos que possuem a compulsão pela mentira como sintoma. A psicoterapia em conjunto com o uso de remédios é utilizada como controle.
Caros colegas e leitores, vocês conhecem alguém com esse perfil?Contem suas experiências aqui no blog. Tenho uma dificuldade imensa em saber o limite existente entre o mentiroso comum e o patológico. Ainda temos muito o que aprender!
Obrigada pelos comentários!Um abraço!